AS 5 FASES DO LUTO

Como ajudar alguém em luto

 

A hora da notícia

Cedo ou tarde, existem dores e sofrimentos que um dia todos nós vivenciaremos, a dor da perda é uma delas.

 

No entanto, quanto mais vínculo temos com a pessoa que partiu, maior é o sentimento que permeia o luto.

A saudade e a tristeza compõem o contexto de estar enlutado, entretanto precisam ser acolhidas e vividas.

Quando se recebe a notícia da morte pode ser bem difícil, mas os dias seguintes também não são nada fáceis.

A pessoa enlutada nos primeiros dias sente um terremoto de emoções e sensações. Choros constantes e intensos, irritabilidade, alterações no sono e na alimentação, disposição alterada para fazer coisas comuns do cotidiano.

 

No entanto, é esperado que a superação aconteça com o passar do tempo e esses sentimentos diminuam, até que o sujeito consiga levar uma vida com mais solidez.

 

A questão não é esquecer a pessoa que partiu, mas aprender a viver sem sua querida presença.

 

Cada um vivencia o luto de um jeito particular. Nesse caminho o indivíduo pode fazer alguns trajetos - que corresponde as etapas do luto. 

LUTO OU DEPRESSÃO?

 

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MEDO DO JULGAMENTO DOS OUTROS

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5 Fases do luto

"Primeiramente, o homem existe, se descobre, surge no mundo e só depois se define." 

Jean-Paul Sartre

 

Sobre as fases do luto

A ciência observou que o luto apresenta algumas fases, porém, o ser humano ainda é aquele que surpreende, e pode agir de forma variada.

 

Existem pessoas que não seguem a ordem aqui exposta. Entretanto, como dito anteriormente, o luto geralmente transcorre por um certo caminho.

Negação

 

Trata-se daquele momento inicial, onde o indivíduo repele o contato com a perda.

 

Assim, a pessoa pode evitar falar sobre o assunto, procura esquecer o que está acontecendo, abafa todo o sentimento advindo da perda.

 

A negação se confere pelo comportamento de evitar o luto, para não lidar com a morte do ente querido. 

Se um conhecido seu está na fase da negação, tenha paciência, não force nada. Procure ser empático e aguente também a angústia que provavelmente surgirá em você. 

Raiva

 

Essa fase é marcada pelo nervosismo, ira, agitação.

 

O indivíduo é envolvido por extrema sensibilidade, no qual muitas vezes, se expressa por meio de choro intenso e explosões de raiva.

Muitas vezes o nervosismo, também é jogado para cima daqueles que estão próximos. Porém, as pessoas próximas não podem levar para o lado pessoal. Se alguma coisa que você fala provoca irritação em que está enlutado, repense se não é momento para mudar sua estratégia. 

Barganha

 

É o momento em que a pessoa enlutada faz uma negociação com Deus, com ela mesma ou com outras formas que lhe são significativas.

Com o uso da barganha o intuito é ter o sofrimento amenizado, para posteriormente aceitar tudo o que aconteceu. 

Se você observar essa atitude, saiba que a pessoa enlutada, está tentando superar, isso é um sinal de que ela não está parada na fase inicial do luto.

Depressão

Essa fase não representa o transtorno depressivo maior, mas é um modo de dizer que a pessoa enlutada já não tem mais recursos para evitar o luto. Então, ela terá que lidar com a perda.

Chegando aqui, já não é mais possível fugir, e, a dor é encarado de frente.

Nesse momento é importante que as pessoas próximas, não tentem forçar que a pessoa enlutada saia de casa, converse, faça atividades. Pois, esse é momento em que ela está reclusa, elaborando a perda. Se você deseja incentivar que ele faça alguma coisa diferente, vá com calma, sem insistência, sem julgamento e sem imposição.  

Questione de que forma você pode ajudar? Assim, você não será invasivo demais. Mostre que você está presente, mande mensagens. Faça essa pessoa sentir que é amada.

Aceitação

 

Na aceitação a dor se torna mais branda, a organização interna se faz presente, e a pessoa já começa a investir sua energia em outras coisas.

 

Nessa fase, se torna possível elaborar a perda, para seguir em frente com novos planos.

 

Quando se alcança a aceitação, a adaptação se torna mais flexível diante de uma nova vida - sem o ente querido.

Formas de luto

 

 

Luto convencional

O luto comum se manifesta por um estado de choro, abatimento e tristeza profunda.  

 

Inicialmente ocorre na pessoa um atordoamento, uma incompreensão do que aconteceu, para posteriormente dar lugar a expressão de sofrimento e desespero. 

 

Sensações físicas podem ocorrer, como dificuldades para se concentrar, sensação de fraqueza, falta de apetite e a consequente perda de peso, dificuldades para respirar, problemas em dormir e despertar, sonhos repetidos que envolvem o ente querido.

      

O luto normal é compreendido por reações e comportamentos que correspondem a tristeza da perda. Entretanto, as coisas podem ser bem diferentes para outras pessoas, como acontece no luto patológico.

     

Luto patológico

Para alguns a travessia do luto não se faz de uma forma organizada e esperada, configurando assim, um grau de recuperação mais difícil.

O luto patológico pode se apresentar por meio de tristeza intensa, depressão maior, sintomas psicóticos e  ideação suicida.

A perda súbita reforça o risco para que ocorra o luto patológico, assim como contribuem as circunstâncias dos acontecimentos, sentimento de culpa pela morte do outro (real ou imaginária), histórico de perdas na vida, traumas, forte dependência daquele que se foi...

As pessoas mais próximas devem manter a atenção quando perceber essas alterações, onde também, uma ajuda profissional deverá ser buscada.

Identificação excessiva ou psicose do luto

       

Nesta forma de luto, a tristeza ocorre de modo diferente ao luto normal.

     

Pode acontecer da pessoa que está enlutada se identificar com o ente querido, de tal forma a assumir características dele que admirava. E, ainda acreditar fielmente que é o ente querido ou que está morrendo da mesma forma.

 

Há muitos relatos de pessoas dentro desse quadro que escutam a voz, têm alucinação com a imagem do ente querido. Dentro dessas condições, o sujeito apresenta convicção sobre a volta do ente querido, e assim transforma sua própria dor em convicção delirante.

A supremacia da dor sobre a razão, se leva a criar uma nova realidade, porém, alucinada, onde a pessoa enlutada pode acreditar que o outro ainda está vivo.

Luto adiado, inibido, negado

 

Ficar entristecido com a morte de alguém próximo é esperado, porém, nesta forma de luto ocorre uma ausência de expressão.

 

Algumas pessoas conseguem adiar a tristeza, até que um dia tudo emerge. 

 

As influências familiares e culturais podem afetar o comportamento diante da perda. Em nossa cultura, por exemplo, os homens são incentivados a não chorar. Também as pessoas que estão enlutadas são encorajadas a abandonar a experiência do luto. 

"O amor não se define; sente-se."

Sêneca

Não é raro observar, os membros da mesma família, vivendo cada um o seu processo de luto isoladamente. Isso quando não se é forçado a abandonar o luto antes de realmente superá-lo, e, assim vai acontecendo a repressão emocional.

 

A tristeza negada ou inibida não deixa que a realidade da perda seja vivida. Desta forma, a pessoa  enlutada até pode deslocar o que está sentindo de forma inconsciente para outros setores da vida, vindo a paralisar-se (profissional/social).

As pessoas mais próximas precisam dar suporte para que a pessoa enlutada encare a situação. Não é porque ele está quieta que tudo vai bem, isso pode ser um sinal de "alerta".

Luto antecipatório

O conceito de luto antecipatório se refere à tristeza diante de uma perda inevitável.

 

Essa forma de luto termina quando a morte realmente ocorre.

Se no luto normal a tristeza diminuiu com o passar do tempo, neste caso em específico, a tristeza aumenta na medida em que a morte do ente querido se aproxima.

As pessoas mais próximas podem auxiliar para que ambas as partes expressem aquilo que é necessário.

Veja como acontece a perda por faixa etária

As etapas do luto – Psicologia

Luto de pais

Os pais reagem à morte de um filho muitas vezes com sentimentos de culpa e desamparo. Ainda podem sofrer mais, quando acreditam que de alguma forma deixaram de protegê-lo.

 

Emocionalmente abalados, eles desconsideram as leis da natureza, acatam para si as responsabilidades que na vida real seria impossível de controlar. Nesse caso, as pessoas mais próximas podem ajudá-los a refletir de forma real sobre a situação.

No caso de pais com filhos portadores de doenças, o enlutamento pode ter início a partir do diagnóstico. 

Outra situação que causa muita dor, é quando os pais depositam nos filhos todas as suas esperanças, desejos, sonhos, que não puderam se concretizar. Eles podem sentir pelo resto da vida as manifestações da perda desse filho. E, portanto, o manejo do luto precisa ser direcionado para uma ajuda profissional. 

Os pais não podem sentir culpa por seguir em frente, mas muitos, ficam presos nessa fase.

Luto em crianças

O luto de uma criança pode ser semelhante ao de um adulto, mas somente quando ela é capaz de compreender o significado da morte.

 

A criança se lamenta, protesta, sente desejo de estar com a pessoa que faleceu, e chora muito querendo sua volta. Quando se dá conta que isso não acontecerá, ela poderá ficar apática e retraída.

Posteriormente, a criança costuma passar por uma fase de distanciamento. Onde começa a desinvestir o apego emocional àquele que se foi, se interessando muitas vezes, por outras coisas.

As etapas do luto – Psicologia

​A criança no início do luto, poderá sentir a necessidade de encontrar alguém que substitua a pessoa perdida. E, esse sentimento ela poderá transferir para vários adultos. Isso é importante para a criança, e deve ser respeitado, principalmente quando a pessoa que partiu se refere a um de seus pais.

 

Quando a criança é muito pequena, na fase escolar, pode sentir culpa pela morte do ente querido. Por esta razão, o luto infantil deve ser acompanhado com muita cautela. 

 

É necessário deixar que a criança expresse o que está sentindo. Muitas vezes, os adultos não conseguem eles mesmos lidar com a dor da perda, e também não permitem que a criança o faça. Esse tipo de atitude pode impactar no desenvolvimento emocional dela nos anos seguintes. 

Como lidar com o luto?

 

 

Estar ao lado de alguém que está passando pelo luto poderá ser desafiador. Porque muitas vezes, essa pessoa não vai ter energia para fazer aquilo que você pede, orienta ou sugere. Porém, ela não tem que corresponder a um ideal nesse momento, pois sua dor está sendo grande.

 

Procure respeitar, não exigindo coisas que ela não dá conta. Faça perguntas como: "O que você está precisando?", "Como eu posso te ajudar?". Algumas ficarão quietas, então observe no que você pode auxiliar e faça.

 

Saiba que alguém em luto não precisa de mais frustrações, então procure ser empático, se coloque no lugar desta pessoa. Se fosse com você, de que forma gostaria de ser auxiliado?

Se a pessoa enlutada não aceitar aproximação sua, mande mensagens, tenha paciência para quando ela responder. É importante que ela saiba que existe alguém que se importa com ela, que a ama.

 

Não saia contando para os outros em detalhes aquilo que ela está vivendo. Nesta hora, muitos se aproximam por curiosidade e não por amor.

"Não importa o quão devagar você vá, desde que não pare."

Confúcio

Se coloque à disposição para acompanhá-la nos lugares. Dê sugestões de livros, filmes que é do agrado dela. Procure fazer surpresas positivas, seja criativo.

Não peça para ela superar rápido, apenas escute o que ela tem a dizer, se puder a incentive a falar sobre a situação, mas sempre respeitando a disponibilidade dela para isso.

Se você gosta muito de alguém que está passando pelo luto, apenas auxilie se você puder dar conta da tristeza e da angústia que você vai sentir. Para auxiliar alguém, é preciso que você também esteja fortalecido, tenha paciência e muita empatia.

Caso a superação não aconteça e a dor se torne intensa, é preciso procurar ajuda psicológica.

O luto é um processo que ocorre dia após dia, onde as pessoas que estão em volta precisam aguentar a angústia daquele que está enlutado, elas precisam dar suporte: sendo braços, mãos, olhos para estas pessoas. 

"Abrindo os olhos" encontramos um amor infinito!

Maria Cristina Santos Araujo
Psicólogo em São Paulo - 06/108.975