Como ajudar seu filho a crescer seguro

A importância da consciência familiar

Uma imagem lúdica e carregada de simbolismo. O cenário ao redor é composto por um ambiente em tons de preto e branco, criando uma atmosfera neutra e estática. Em contraste vibrante, duas crianças pequenas aparecem totalmente coloridas, vestindo roupas em tons alegres e segurando balões que também ostentam cores vivas. Elas estão em um momento de brincadeira pura e espontânea. A imagem ilustra o tema "Como ajudar seu filho a construir a autoestima": simboliza que o amor e o suporte dos pais funcionam como a "cor" que protege a criança da monotonia ou das pressões externas do mundo. Os balões representam os sonhos e a autoconfiança que, quando estimulados, permitem que a criança se destaque e brilhe com luz própria, mantendo sua essência vibrante independentemente do ambiente ao seu redor

O que é a autoestima? 

Entre tudo que você possa sentir, a autoestima é um dos sentimentos mais íntimos que o ser humano vivência em seu dia a dia.

A autoestima vai sendo desenvolvida no decorrer da vida da pessoa. No entanto, além do próprio sujeito, as condições sociais impactam nessa empreitada. Os cuidadores e todos aqueles que estão em volta da criança têm um papel importante para isso.

Autores como como Piaget, Hycner, Perls, reconhecem a importância do ambiente sobre o indivíduo, mas também atribuem características particulares dele, agindo de forma ativa nessa construção.

A importância de tratar bem a criança

Uma composição colorida e acolhedora que reúne elementos clássicos da infância. Em destaque, vemos brinquedos tradicionais como uma girafa de pelúcia ou madeira, uma bola colorida e um ursinho carinhoso. Ao redor deles, estão espalhados vários funis em tons vibrantes. A imagem ilustra o tema "A importância de tratar bem a criança": simboliza que a infância é uma fase de absorção. Os brinquedos representam o direito ao lazer e à inocência, enquanto os funis servem como metáfora para as experiências e o tratamento que a criança recebe dos adultos. Se o tratamento é baseado em respeito e carinho, o que "passa pelo funil" e chega ao coração da criança são cores e sentimentos positivos, fundamentais para a formação de um adulto seguro e saudável

É importante que a criança cresça se sentindo pertencente a um bom lugar.

Quanto mais estiver envolvida em relações saudáveis, a propensão se torna maior para o desenvolvimento da autoestima positiva.

Uma criança que recebe os cuidados para suas necessidades básicas como segurança, saúde, educação escolar, amor, atenção, amparo – cresce consciente do seu próprio valor.

Entretanto, críticas ofensivas, desprezo, maus tratos, podem impactar negativamente. Assim, contemplam também situações de violência sexual, dor emocional, abandono, humilhação, rejeição, traumas, cobranças excessivas, entre outros…

O ideal é que os pais saibam dispensar sobre a criança uma parte de proteção e outra de incentivo, para que ela conheça o mundo, e, o explore de forma responsável. Assim, a probabilidade é maior de que a criança cresça mais segura de si, conseguindo se relacionar com os outros de forma assertiva.

Contudo, dar amor a uma criança é diferente de não lhe prestar os devidos ensinamentos, para que ela possa viver em sociedade.

Outro dia uma paciente muito inteligente que atendo, me contou uma história de uma mãe corrigindo a tia, dizendo: “Minha filha nunca ouvirá um NÃO. Você não se atreva a falar não para ela”. Sendo que a tia retirou das mãos da bebê (sete meses) um objeto que quebraria.

Essa paciente disse com muita reflexão: “Infelizmente os bons pais terão que ensinar seus filhos a serem bons cidadãos e também a lidar com pessoas sem limites e sem educação”. Ela estava totalmente certa, isso acontecerá com mais intensidade no decorrer dos tempos.

Vivemos numa sociedade de pais obedientes de seus filhos. Entretanto, aquilo que a criança não aprender em casa, a vida a ensinará.

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Como a criança interpreta aquilo que negativamente lhe fazem?

Um retrato sensível e reflexivo de uma criança negra, capturada em um momento de profunda introspecção. Ela está com a pequena mão apoiada delicadamente no queixo e os olhos voltados para cima, em direção ao texto, como se estivesse analisando o próprio conteúdo que fala sobre ela. Sua expressão é curiosa e ao mesmo tempo séria, transmitindo a complexidade emocional de quem tenta entender o mundo ao redor. A imagem ilustra o tema "Como a criança interpreta aquilo que negativamente lhe fazem": simboliza o processamento interno e silencioso que ocorre na infância diante de conflitos ou maus-tratos. Representa o momento em que a criança "conclui" algo sobre si mesma a partir do comportamento dos adultos, mostrando que, mesmo em silêncio, ela está construindo significados que podem durar a vida inteira

As mensagens negativas do ambiente sobre a criança

O ser humano não chega ao mundo já pronto para lidar com tudo.

A criança desde pequena já começa a receber informações à seu próprio respeito: que espaço ocupa, que importância tem para os outros, se é amada, suprida de suas necessidades. Assim, o autovalor começa a se desenvolver.

Inicialmente, a criança tanto pode amar como odiar seu próprio “eu” – conforme vai sendo amada ou desrespeitada também. 

Muitas vezes, quando não é suprida das necessidades básicas, surgem sentimentos como medo, vergonha, falta de confiança.

O meio social interfere no modo em que a criança se vê, principalmente quando ainda não tem desenvolvido dentro de si “filtros” (fronteiras) que absorvem e descartam as informações “não nutridoras” do ambiente. 

Dependência física e emocional

Conforme o ambiente vai proporcionando a criança certas situações, de igual forma ela vai construindo experiências e referências a partir do modo como é tratada.

Se a criança receber material para construir experiências negativas, tenderá a se achar como “alguém sem valor”. Se um conteúdo negativo  for absorvido por ela, então sua tendência também será maior para se comportar como se aquilo fosse verdade.

Se a criança achar que existe algo de errado com ela mesma, sua atuação frente ao ambiente poderá ser menos eficiente, vindo a restringi-la de se comportar de forma mais adaptativa e flexível.

Dentro desse cenário, sua forma de viver não é pautada no próprio valor, mas em mensagens distorcidas sobre quem ela é.

A partir disso, a criança vai crescer provavelmente ouvindo duas vozes dentro dela, a primeira se refere ao “verdadeiro eu” e a outra se refere a um  “eu ideal”. Entrando em conflito algumas vezes com essas duas partes.

Se para um adulto é complicado viver tentando se colocar num papel que os outros esperam que ele faça, para uma criança é mais difícil ainda.

A visão de Freud sobre a autoestima infantil

Uma imagem vibrante e multicultural que apresenta um grupo de crianças de diversas etnias reunidas em uma roda. Elas estão levemente inclinadas para o centro, olhando diretamente para a câmera com sorrisos abertos e expressões de pura felicidade e pertencimento. A perspectiva de cima para baixo cria uma sensação de união e acolhimento. A imagem ilustra o tema "A visão de Freud sobre a autoestima infantil": simboliza a fase do narcisismo primário e a construção do ideal do ego, onde o brilho nos olhos das crianças reflete o amor e a aprovação recebidos de seus primeiros vínculos. Representa a formação da base psíquica necessária para que cada criança, em sua individualidade e origem, sinta-se valorizada e segura, reforçando que a autoestima nasce da qualidade dos primeiros afetos que nos cercam

Freud já dizia em sua época que a criança quer o amor dos pais, ao mesmo tempo anseia por sobreviver, já que ainda é um ser totalmente dependente deles. Desta forma, para ela é mais difícil se manter intacta diante daquilo que vem do ambiente.

Se a criança tiver que escolher entre “ser ela mesma” ou “se comportar conforme outra pessoa deseja”, ela optará pela segunda estratégia – com intuito de sobreviver. Sem se dar conta de suas escolhas, ela terá provavelmente medos, onde buscará por respostas, mas não as encontrará.

Se ela recebeu do ambiente material ruim ou pouco assimilável, ela construirá o “eu ideal” introjetado, que comandará o seu comportamento.

Dentro dessas condições, ela tende a crescer com baixa autoestima. Enquanto adulta provavelmente se tornará submissa aos valores e as necessidades do outro, se distanciando daquilo que seria melhor para ela. 

Contudo, haverá um conflito sempre que a própria pessoa não corresponder as exigências internas (eu ideal), principalmente se isso não for de acordo com sua necessidade.

Um adulto com baixa autoestima tem o campo oportuno para o surgimento das autocobranças exageradas. Pois, o sujeito agirá de modo a corresponder ao “eu ideal” que nunca é satisfeito, pois vai além das suas possibilidades – diminuindo cada vez mais a  autoestima.

Essa forma de viver gera sofrimento, porque o adulto se torna muito preocupado com aquilo que os outros vão pensar à seu respeito. A falta de valor que sente, o faz ter insegurança nas relações sociais, dificultando o surgimento de vínculos. 

Alguém assim, tão pouco sabe se está agindo corretamente, pois vive numa mistura de e desejos e culpa, onde uma hora quer uma coisa, mas em outra hora deseja o oposto.

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Experiências ruins na infância 

Uma imagem tocante e angustiante de um menino pequeno que esconde o rosto com as mãos, segurando dois desenhos simples, porém significativos: retratos de figuras paternas e maternas, visivelmente rasgados ao meio. A fragilidade dos desenhos em contraste com a dor transmitida pela postura da criança é palpável. A imagem ilustra o tema "Experiências ruins na infância": simboliza o impacto devastador de traumas e decepções vividas nos primeiros anos de vida. Representa a quebra da imagem de segurança e de afeto que a criança deveria ter dos pais ou cuidadores, e como ela tenta se proteger da dor e da confusão. Os desenhos rasgados são a metáfora visual de um vínculo quebrado, de um ideal desfeito, e da cicatriz emocional que se forma quando as figuras de apoio falham em proporcionar um ambiente seguro e amoroso

Quando pensamos em vivências ruins em torno de uma criança, já relacionamos com aquelas situações que envolvem o abuso físico ou psicológico, agressões, entre outras manifestações da violência. No entanto, não precisa ser tão severa a experiência para o sentimento de desvalor surgir, pois basta que ela se sinta desprezada por seus cuidadores ou outras figuras significativas. 

Vivências negativas precoces, intensas e interruptas, podem fazer a criança se perder em seus sentimentos também.

Com o passar do tempo, ela pode desenvolver a convicção de que “não adianta fazer nada”, porque sua vida não mudará. Ela cresce, e essas vozes que antes se calaram na infância sofrida, na vida adulta podem surgir como um “grito de socorro”.

O alcance das experiências ruins na infância podem ser vastos, podendo criar desde um sujeito inseguro e adoecido ou que desconsidera a humanidade – assim se chega aos extremos.

Crianças negligenciadas têm propensão maior enquanto adultas de fazer uso de substâncias ilícitas, podendo também desenvolver compulsões, entre outras formas, usadas como meio para aliviar o mal estar interno.

Quem ama educa

Um retrato radiante e cheio de vida de uma menininha com o cabelo preso em duas "Maria Chiquinhas" clássicas. Ela está posicionada de frente para a câmera, com um sorriso espontâneo e olhos que brilham com confiança e segurança. A imagem transmite uma atmosfera de pureza e bem-estar. Ela ilustra o tema "Quem ama educa": simboliza a harmonia de uma criança que recebe orientação e afeto de forma equilibrada. Representa o desabrochar de uma autoestima saudável, onde a educação não é vista como repressão, mas como o suporte necessário para que a criança se sinta amada, protegida e livre para expressar sua alegria. É o rosto da felicidade de quem sabe que está em boas mãos

A importância e o propósito da correção

A criança precisa ser corrigida quando errar. A correção mostrará a ela os limites, fortalecerá o julgamento de “certo e errado” sobre as coisas. E, essa aprendizagem seria conveniente se ocorresse num ambiente seguro, com o amparo e amor da família. 

Quando por algum motivo os pais não educam os filhos, eles ficarão expostos para a sociedade o fazer, e isso poderá não ocorrer da melhor forma.

As consequências da falta de correção ou da correção inadequada

Uma criança que cresce mimada também se torna aquela que não tem um comportamento adaptado para suas próprias necessidades, ficando propensa a não lidar com a vida de forma assertiva.

Mesmo que pareça ser durona, independente e autossuficiente, lá fundo essa criança sofrerá provavelmente de baixa autoestima, mas tentará mostrar ao mundo o contrário daquilo que sente, podendo sofrer ainda mais.

A postura do adulto ao corrigir

Uma natureza-morta simbólica e organizada, apresentando uma pilha de livros de capas variadas, sobre a qual repousa uma maçã vermelha e brilhante. Ao lado dos livros, um lápis repousa de forma convidativa. A composição é bem iluminada, transmitindo uma sensação de ordem, estudo e cuidado. A imagem ilustra o tema "A postura do adulto ao corrigir a criança": simboliza que a correção deve ser fundamentada em conhecimento e preparo (os livros), visando sempre o bem-estar e o crescimento saudável do "fruto" que é a criança (a maçã). O lápis representa a maleabilidade e a oportunidade de guiar o aprendizado com precisão e suavidade, reforçando que a postura ideal do adulto é a de um mentor que utiliza o erro como uma ferramenta pedagógica e não apenas como um momento de punição

Quando se corrige uma criança é ideal que o adulto seja objetivo, direto e claro. Mostrando desta forma, que a correção é referente ao seu ato. É importante não misturar aquilo que ela fez de errado com aquilo que ela é. Educar pelo ato errado que a criança fez é diferente de atacar sua personalidade.

Também é importante não usar apelidos, fazer brincadeiras humilhantes que externalize alguma característica da criança (física ou psicológica). Ainda que no contexto do adulto seja apenas uma simples brincadeira, ela entenderá de forma literal – de que é realmente daquele jeito.

Também é importante não fazer xingamentos, porque a criança não consegue discernir se o adulto está chateado com ela ou com o que ela fez.

Também é importante que o adulto não desconte na criança sua dor emocional referente a algum problema que esteja passando. Assim, se evita que ela pense ser a razão do problema, se sentindo errada e culpada. 

Características pessoais da criança do nascimento à vida adulta

Segundo Vigostski há uma interação importante entre aquilo que a criança já é acrescida daquilo que recebe do ambiente. O resultado disso faz emergir a formação da personalidade, lhe conferindo um jeito único e particular de atuar na vida.

Desde cedo, a criança já tem traços de sua subjetividade, e isso organizará o modo de como vai incorporar os conteúdos psicológicos que receberá do ambiente.

Mesmo sabendo que o ambiente influencia a autoestima de cada um, o indivíduo nunca é passivo a tudo nesta trajetória, pois existem partes dentro dele que também reagem.

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Maria Cristina S. Araujo  

Psicóloga em São Paulo – 06/108.975 

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