EVITE A VIOLÊNCIA INFÂNTIL

Conheça os sinais

 

Muitas coisas nesta vida são revoltantes, uma delas é a violência praticada contra a criança.

   

A violência infantil tornou-se um problema de saúde pública, e é observada em todas as classes sociais, em todas as culturas e em todos os credos.

   

O pior ocorre quando o agressor é alguém próximo a criança, que ao invés de cuidar dela realiza o contrário, nesse caso o trauma pode ser bem maior.

O agressor é qualquer pessoa, que ciente dos seus atos faz algo contra criança, cuja ação corresponde o sentido contrário ao direito dela.

   

Pesquisas apontam hoje, que a maioria das vezes, os agressores convivem com as crianças. Desta forma, a família passou a ser a origem principal de tais agressões.

As formas de violência infantil

 

Negligência

 

Essa forma de violência ocorre quando os responsáveis não proporcionam a realização das necessidades básicas da criança.

 

O comportamento negligente do adulto, pode impactar negativamente no desenvolvimento dela.

     

A negligência se define pela omissão com a criança:

  • Vesti-la com roupas inapropriadas ou deixá-la sem roupa;

  • Faltar com alimentação, água, saúde (vacinas/consultas);

     

  • Não dar proteção e nem acompanhar a criança quando é preciso, podendo ocorrer acidentes com ela;

 

  • Não cuidar da higiene da criança e com o ambiente onde ela vive;

  • ​​Não levá-la para a escola;

  • Mantê-la em cárcere privado...​

       

         

Violência psicológica

É a forma de mau trato mais difícil de ser identificada, porque não deixa sequelas visíveis. Porém, seus danos podem ser significativos para o desenvolvimento e para a vida dela.  

 

O abuso psicológico pode se dar por meio de abandono emocional,  pelo uso de palavras e atitudes que remetem a:

  • Praticar punições exageradas;

  • Fazer discriminação;

  • Rejeitá-la;

 

  • Negar-lhe o afeto;

  • Fazê-la passar por privações das necessidades básicas;

  • Humilhá-la e tratá-la com desrespeito;

  • Submetê-la a cobranças infundadas;

  • Atribuir-lhe responsabilidades de forma inapropriada para a idade;

  • Tratá-la de forma desdenhosa e desprezível;

  • Explorá-la;

  • Xingar ou usar palavras de baixo nível;

  • Ridiculariza-la a partir de características físicas;

  • Expor a criança a cenas inapropriadas como ocorre em filmes de terror, sexo e guerras... 

      

MEDO DE ERRAR

 

Vida pessoal, amorosa, trabalho

DEPRESSÃO

 

 Como vencer?

TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR

 

 Sintomas, tratamento e dicas importantes para lidar com isso...

Violência física

Ação única ou repetida que provoca danos físicos à criança.

É realizada por meio da força e de forma intencional, por alguém mais velho: pais, responsáveis, familiares, pessoas próximas ou não próximas.

Violência sexual

Se define pelo fato de alguém com mais idade ou com outras vantagens - submeter à criança a satisfazer seus próprios desejos sexuais. A ação pode envolver ou não o contato físico.

 

A violência sexual pode ser praticada por meio de sedativos, bebidas, ameaças, indução da vontade ou violência física, por exemplo, o estupro.

 

A violência sexual pode ser feita através de toques e de relações com penetração (genital ou anal).

 

Mesmo quando não ocorre o contato, mas a criança é submetida à situação de constrangimento, também  poderá ser danoso, como ocorre no assédio, voyeurismo, exibicionismo e exposição à imagens eróticas.

Violência sexual - e seus danos

 

O que pode contribuir para o efeito negativo do abuso?

Algumas crianças e adolescentes podem ter o desenvolvimento muito afetado devido ao abuso sexual, enquanto outras poderão apresentar pouco prejuízo. 

 

Os danos podem ser maiores em situações no qual a criança não tem apoio e nem afeto. Outros fatores podem influenciar como a personalidade, o tipo de agressão que ocorreu, a idade, a frequência, a duração, o grau de relacionamento com o agressor, o recurso externo para ajudá-la no enfrentamento da situação.

Quais os problemas mais apresentados na fase adulta pela criança que foi agredida sexualmente?

 

Autoestima rebaixada, abuso de substâncias químicas, sentimento de inadequação, promiscuidade, transtorno de estresse pós-traumático, dissociação, depressão, fobia, transtorno obsessivo-compulsivo.

 

Nas mulheres é mais frequente o transtorno de humor e de alimentação, comportamento autodestrutivo (síndrome borderline), negligência consigo mesma, agressão, suicídio, dificuldade em estabelecer laços afetivos.

"Quando olho para uma criança ela me inspira dois sentimentos: ternura pelo que é, e respeito pelo que posso ser."

 

J. Piaget 

Conheça as atitudes da criança agredida sexualmente

      

Ficará com medo de falar alguma coisa caso tenha sido vítima de um aliciador.

 

Sentirá culpa, vergonha e receio de ser punida pelos pais.

Como se comporta?

 

A criança vítima mostrará dificuldade de interação e evitará proximidade com o agressor. Também mostrará medo do adulto do mesmo sexo que o agressor.

 

Ela geralmente se torna alerta a tudo também.

 

Assustada, costuma acompanhar com o olhar os movimentos que o adulto faz. Quando muito pequena costuma chorar com facilidade - negando aproximação.

Mostrará um conhecimento fora do comum para a idade em relação ao sexo 

 

Em casos de crianças muito pequenas e vítimas de abuso sexual, não é esperado que elas tenham conhecimento sobre sexo, mesmo diante de várias informações disponíveis em tantos meios de comunicação.

 

Desconfie se elas demonstrarem conhecimento mais detalhado sobre o assunto.

Quais são as alterações mais comuns no comportamento?

A criança costuma mostrar o que está se passando com ela de forma lúdica e por meio de gestos.

 

É comum o surgimento de comportamentos como agressividade, comportamento hipersexualizado, alteração no sono e na alimentação, preferência em ficar sozinha, autoestima rebaixada, resultado insatisfatório na escola, ideias de suicídio, desejo de sair de casa, falta de atenção, irritabilidade, sentimento de inadequação em relação ao corpo, desconfiança com pessoas do mesmo sexo do agressor, falta de interesse por atividades que antes despertava alegria, dissociação, medo, tristeza, transtornos psicossomáticos, pesadelos, comportamento autodestrutivo, comportamento delinquente, regressão no desenvolvimento.

Maus tratos e sequelas

Uma criança ou adolescente que tenha sofrido maus tratos poderá carregar esta marca para o resto da vida.

Lidar com o  abuso infantil não é tão simples. Por um lado, tentar resolver de forma racional parece ser o caminho mais fácil, procurar a justiça, exigir que o culpado seja condenado, protegê-la. Por outro lado, fica a vítima que muitas vezes, amedrontada se torna prisioneira de um trauma, e, impedida de caminhar de forma mais feliz.

 

Percebo na minha prática clínica, que atrás da agressão infantil, se esconde outra questão mais séria: que é a recuperação da vítima, que geralmente demora anos - quando consegue.

Muitos se preocupam com indenizações, em ver o agressor pagar pelo que fez, impedi-lo que faça outros males para a sociedade.

 

Apesar de importante a contenção do agressor, isso corresponde apenas a ponta do iceberg. O problema profundo reside aonde nossos olhos não alcançam, que está guardado no coração, no inconsciente e na personalidade da criança vítima da agressão.

A imagem que a criança que foi vítima faz de si pode ser correspondente a agressão que sofreu, no sentido de inadequação. 

A forma em que uma criança é tratada na infância fará parte de sua constituição, porque ela está em momento de formação. Nos anos da infância, ela se interpreta pela forma em que é tratada pelo outro.

Não é difícil a criança que foi vítima de violência crescer e se tornar insegura, impactando na forma de enfrentar os problemas.

O apoio e a procura de ajuda profissional poderão minimizar os danos da violência.

"Abrindo os olhos" é possível observar aquilo que realmente é importante!"

Maria Cristina Santos Araujo
Psicólogo em São Paulo - 06/108.975