SEPARAÇÃO

Como lidar?

Quando a separação acontece é difícil

 

Passar o resto da vida ao lado da pessoa amada, é o objetivo de quem casa por amor. Mas, o que fazer quando a separação se torna um fato presente?

Mesmo que a separação afetiva já tenha ocorrido, é na separação física que muitos se dão conta dos sonhos desfeitos e do impacto da nova realidade em suas vidas. 

 

Todavia, fazer contato com essa dor que geralmente surge é necessário. Pois assim, a pessoa identifica seus próprios limites, se redescobre e organiza sua própria existência criativamente.

 

Poder refletir sobre o que está acontecendo, também é oferecer a si mesmo a oportunidade de aprender por meio das experiências, tirando de revezes como esses - aquelas grandes lições que jamais se esquece.

Por que muitas pessoas mantêm a relação mesmo quando não dá mais?

O homem é um ser de relação. Assim, quando ele se casa, é difícil romper, mesmo que não haja mais amor, pois uma história existiu, envolvendo afetividade.

 

Entretanto, quando ocorre o rompimento dessas ligações, geralmente surge a dor emocional, no qual muitos fogem. Faz parte da natureza do ser humano evitar a dor. 

 

Infelizmente, às vezes, é por meio da dor, que algumas pessoas conseguem adquirir um aprendizado transformador, passando a ter uma perspectiva de vida diferente.

 

Existem outras pessoas que resistem à separação, por causa dos filhos, mesmo sendo vítimas de agressão e traição, pois acreditam que não têm escolha.

 

Entretanto, vimos na história da humanidade, sujeitos que mesmo passando por situações adversas, encontraram meios para lidar com os problemas, e, de se posicionar com resiliência diante do caus. 

Algumas pessoas também têm medo do que pode acontecer após a separação, desta forma evitam-na. 

ALIENAÇÃO PARENTAL

 

Quando a separação se torna prejudicial à criança...

SEPARAÇÃO

 

Como a criança encara isso?

A ARTE DE CRIAR AUTOESTIMA NA CRIANÇA

Conceito e dicas....

Outras preferem deixar as coisas como estão, porque segundo elas, terão que começar do "zero" novamente, receando assim, uma nova situação.

 

Existe aquele sujeito que sente medo da solidão, de nunca mais encontrar alguém.

 

Para outros manter o casamento significa não querer ter problemas financeiros, não desejando perder tudo.

NÃO CONFUNDA seu filho com seu ex-cônjuge

 

 

Acontece que algumas pessoas ficam tão sentidas com a separação, que ampliam aquilo que estão passando para os filhos. Existe aquele sujeito que se envolve num outro relacionamento também e, a partir disso esquece que o filho do anterior casamento existe.

Alguns buscam resgatar a juventude, com isso, partem em busca de aventuras, mas não levam os filhos na bagagem.

Há também aquela pessoa que não reage bem a separação, entra como num estado depressivo, assim, não tem força para estar presente com a criança. 

No final do casamento podem surgir crenças negativas sobre quem o sujeito é, vindo a acreditar que é  fracassado no casamento, e, também o é como genitor. Alguns para esquecer o passado, evitam retornar a casa.

Aquele no qual perdeu a guarda, poderá sentir que também perdeu o papel de cuidar do filho, de vê-lo e de prepará-lo para a vida.

Enfim, diversas podem ser as razões que levam uma pessoa a romper a relação com seu próprio filho, mas seria ideal que isso não acontecesse.

O afastamento pode provocar na criança sentimento de desamparo, sem contar que ela também poderá sentir insegurança quanto ao próprio futuro.

É preciso entender que o rompimento conjugal ocorreu com o parceiro afetivo, mas não com a criança. E, que jamais as coisas serão como no passado, pois o filho existe e, precisa ser cuidado.

Outros pais devido serem tão apegados aos filhos, se tornam ainda mais afetuosos e preocupados, fazendo tudo o que é possível para que fiquem bem.

O que os pais podem sentir

durante a separação?

 

Comportamentos mais apresentados

 

  • Insegurança;

  • Medo de estar cometendo um erro;

  • Receio do julgamento crítico dos outros;

  • Sensação de fracasso;

  • Tristeza em demasia;

  • Sensibilidade emocional;

  • Culpa;

  • Insatisfação;

  • Conflito de emoções;

  • Falta de motivação;

  • Incertezas de como ficarão as coisas;

  • Medo da possibilidade de outra pessoa ocupar seu lugar, principalmente em relação ao filho.

Pais separados devem evitar alguns pensamentos que podem levar a depressão:

  • “Não sou importante para meu filho.”

  • “Meu filho não precisa mais de mim, pois não fui capaz de ganhar sua guarda.”

  • “Não tenho direito de fazê-lo sofrer com minha ausência, tenho que me afastar."       

 

Culpa

Uma sensação desconfortável

Aquele que foi embora pode sentir culpa 

Os pais podem sentir culpa devido a saída de casa, por não ter tentado fazer dar certo o casamento, podendo se responsabilizar totalmente pela separação.

     

Sentindo-se culpado, poderá tentar compensar a criança, satisfazendo todos os seus desejos.

Para a criança é importante que cresça na rotina, no qual já estava acostumada. A criança não tem maturidade para decidir o que é bom para ela. Precisa de limite e de orientação, tanto para construção da  sua personalidade, como também do seu caráter.

A proteção excessiva e a rejeição, podem ter efeitos negativos sobre a criança. São possíveis causadores da falta de empatia, isolamento social, baixa autoestima, dependência emocional, egocentrismo - que vemos em muitas pessoas hoje em dia.

Se de um lado estão os pais que sentem o peso da responsabilidade, do outro está a criança que não pode crescer sem estrutura.

Neste momento, a culpa tem que dar lugar a razão, de que pelo menos os filhos estão crescendo longe de um ambiente com brigas.

 

Estou me empenhando para chegar lá!

Sem esforço não há recompensa!

Mell Barcellos

A culpa de ter ficado com a guarda da criança

A parte que ficou com a guarda da criança também poderá sentir culpa, por fazer a criança crescer, sem a convivência diária do outro genitor. Ela poderá ignorar todo o fato de que a relação é construída a dois, se considerando responsável pela separação.

A separação pode ainda gerar um pesar, de que a criança está sendo privada de uma série de vantagens que teria, caso a relação conjugal tivesse continuado.

A pessoa que ficou com a guarda também poderá sentir uma carga grande sobre si, precisará do apoio do ex-cônjuge, da família e dos amigos. 

Comportamento do adulto que afeta a criança

Percebo quando atendo o público adulto, principalmente os adolescentes, o quanto que a família desempenha um papel importante na construção da afetividade, mais do que se imagina.

 

Então, se uma criança aprende que um relacionamento romântico é gerador de desconforto e brigas  (através daquilo que ela vivencia em casa), cria-se uma probabilidade maior para que esse aprendizado seja internalizado, fazendo disso uma referência para sua vida futura.

Vejo na minha prática clínica, muitas pessoas com ideias sobre o  relacionamento romântico, que provem das experiências da infância.

O problema não para por aí, pois a forma que uma criança se sente amada e cuidada, reflete na construção da autoestima. Se sua autoestima é baixa, quando adulta provavelmente, ela pode buscar uma relação compensatória, que será diferente de estar com alguém por amor.

Os pais sem saber, podem produzir na criança um sentimento de inferioridade. 

 

Com sentimento de inferioridade, ela cresce sem autoestima e insegura, podendo se tornar bastante desconfiada. Por não ter recebido na infância o suporte da família, ela passa a acreditar que todos a tratarão com desprezo, tendo por certo que é inferior as outras pessoas.

Quando a criança é pequena sua tendência é aprender por meio da vivência, do que por meio das palavras (instruções que são passadas a elas). Então, os pais precisam ficar atentos, sobre os ensinamentos que estão passando à seus filhos, por meio das próprias atitudes.

Coisas a serem evitadas na separação

 

 

O que não pode acontecer com os filhos durante a separação

 

  • Serem usados como meio de ferir o outro;

  • Servirem como base de apoio para sustentar os pais financeiramente e emocionalmente;

  • Agir como espiões para vigiar a vida do ex-cônjuge;

 

  • Ser o canal de comunicação para passar recados;

  • Ser privado de suas necessidades básicas.

Esses são exemplos de quando não prevalece o bem estar da criança, mas sim ressentimentos, desejo de vingança e mágoa entre os pais.

Existe saída para a dor separação?

Por mais que seja dolorosa a separação, é importante que ambas as partes aprendam dar um novo significado para suas vidas. Lidem com o que aconteceu, deixando para trás qualquer mágoa e trauma.

Quando a separação gera grande sofrimento, eu percebo que a pessoa evita o contato com aquilo que está sentindo. Porém, a nova realidade que a cerca, exige que novas reestruturações ocorram, e, esse é o meu trabalho junto com ela na psicoterapia.

Percebo também, que quando ela é muito calada, não se abre facilmente e sofre sozinha, a superação demora mais tempo para acontecer. Muitas vezes, essas pessoas psicossomatizam por meio de ansiedade, doenças, podendo também refletir na perda do trabalho.

A separação por si só, costuma mexer com todas as emoções, até mesmo daqueles sujeitos mais fortes.


Um indivíduo que se separa, pode ficar muito sério, fechado, como se estivesse fugindo do mundo e das pessoas. 

Sabemos também, que não é nada fácil ter que cuidar de muitas coisas ao mesmo tempo. Principalmente em encontrar uma nova casa, dividir bens, esclarecer aos filhos o que aconteceu.

Existem pessoas que perdem o senso de identidade, não sabem mais quem são fora do casamento, ficando alheios a própria realidade.

É importante que a separação seja elaborada, porque uma situação que permanece inacabada, mantém seus sentimentos estagnados e, eles não desaparecem.

Plenitude

"O amor é a última e real necessidade do ser humano."

Erich Fromm

Todavia, se o sujeito não vivencia e assimila tudo o que está sentindo, quando se deparar com novas situações, ficará propenso a refletir sua vivencia interna. Visto que a situação anterior não foi concluída, se  configurando uma gestalt inacabada.

Na terapia, costumo também trazer uma reflexão sobre a luz dos próximos passos a serem seguidos, por meio do autoconhecimento e das condições atuais da pessoa.

 

Ajudar alguém que está passando pela separação, também envolve transitar pelas sombras do luto. Nesse momento, a grande dor é saber que não há mais retorno, ficando presente a saudade e a despedida. 

"Abrindo os olhos" encontramos a realidade por meio da consciência!

Maria Cristina Santos Araujo

Psicóloga em São Paulo - 06/108.975

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