A ARTE DE CRIAR AUTOESTIMA  

Da infância para vida adulta

 

 

Entre tudo que se possa sentir, a autoestima é um dos sentimentos mais íntimos que o ser humano vivência em seu dia a dia.

 

Ela vai sendo desenvolvida no decorrer da vida da pessoa. No entanto, além do próprio sujeito, as condições sociais impactam nessa empreitada. Os cuidadores e todos aqueles que estão em volta da criança têm um papel importante para isso.

Autores como como Piaget, Hycner, Perls, reconhecem a importância do ambiente sobre o indivíduo, mas também atribuem características particulares dele, agindo de forma ativa nessa construção.

A importância de tratar bem uma criança

 

 

É importante que a criança cresça se sentindo pertencente a um bom lugar. 

 

Quanto mais estiver envolvida em relações saudáveis, a propensão se torna maior para o desenvolvimento da autoestima positiva.

Uma criança que recebe os cuidados para suas necessidades básicas como segurança, amor, atenção, carinho, amparo - cresce consciente do seu próprio valor.

 

Entretanto, críticas ofensivas, desprezo, maus tratos, podem impactar negativamente. Assim, contemplam também situações de violência sexual, dor emocional, abandono, humilhação, rejeição, traumas, cobranças excessivas, entre outros...

O ideal é que os pais saibam dispensar sobre a criança uma parte de proteção e outra de incentivo, para que ela conheça o mundo, e, o explore de forma responsável. Assim, a probabilidade é maior de que a criança cresça mais segura de si, conseguindo se relacionar com os outros de forma assertiva.

Contudo, dar amor a uma criança, é diferente de não lhe prestar os devidos ensinamentos, para que ela possa viver em sociedade.

 

Outro dia uma paciente muito inteligente que atendo, me contou uma história de uma mãe corrigindo a tia, dizendo: "Minha filha nunca ouvirá um NÃO. Você não se atreva a falar não para ela". Sendo que a tia retirou das mãos da bebê (sete meses) um objeto que quebraria. Observem para que rumo nosso mundo caminha.

Essa paciente disse com muita reflexão: "Infelizmente os bons pais terão que ensinar seus filhos a serem bons cidadãos e também a lidar com pessoas sem limites e sem educação". Ela estava totalmente certa, isso acontecerá com mais intensidade no decorrer dos tempos.

Vivemos numa sociedade de pais obedientes de seus filhos. Entretanto, aquilo que a criança não aprender em casa, a vida a ensinará. 

Enquanto o problema for "o outro e do outro", não haverá espaço para reflexão e crescimento.

Maria Cristina S. Araujo

Como a criança interpreta

aquilo que negativamente lhe fazem?

Dificuldade da criança para enfrentar as mensagens negativas do ambiente

O ser humano não chega ao mundo já pronto para lidar com tudo.

 

A criança desde pequena já começa a receber informações à seu próprio respeito: que espaço ocupa, que importância tem para os outros, se é amada, suprida de suas necessidades. Assim, o autovalor começa a se desenvolver.

 

Inicialmente, a criança tanto pode amar como odiar seu próprio "eu" - conforme vai sendo amada ou desrespeitada também. 


Muitas vezes, quando não é suprida das necessidades básicas, surgem sentimentos como medo, vergonha, falta de confiança.

O meio social interfere no modo em que a criança se vê, principalmente quando ainda não tem desenvolvido dentro de si "filtros" (fronteiras) que absorvem e descartam as informações "não nutridoras" do ambiente. 

Dependência física e emocional

Conforme o ambiente vai proporcionando a criança certas situações, de igual forma ela vai construindo experiências e referências a partir do modo como é tratada.

 

Se a criança receber material para construir experiências negativas, tenderá a se achar como "alguém sem valor". Se um conteúdo negativo  for absorvido por ela, então sua tendência também será maior para se comportar como se aquilo fosse verdade.

Se a criança achar que existe algo de errado com ela mesma, sua atuação frente ao ambiente poderá ser menos eficiente, vindo a restringi-la de se comportar de forma mais adaptativa e flexível.

Dentro desse cenário, sua forma de viver não é pautada no próprio valor, mas em mensagens distorcidas sobre quem ela é.

A partir disso, ela vai crescer provavelmente ouvindo duas vozes dentro dela, a primeira se refere ao "verdadeiro eu" e a outra se refere a um  "eu ideal". Entrando em conflito algumas vezes com essas duas partes.

Se para um adulto é complicado viver tentando se colocar num papel que os outros esperam que ele faça, para uma criança é mais difícil ainda.

SEPARAÇÃO

 

Dicas de como lidar com essa situação...

SÍNDROME DO IMPERADOR

 

O pequeno grande autoritário

ALIENAÇÃO PARENTAL

 

Quando a separação se torna prejudicial à criança...

A visão de Freud sobre a autoestima infantil

 

 

Freud já dizia em sua época que a criança quer o amor dos pais, ao mesmo tempo anseia por sobreviver, já que ainda é um ser totalmente dependente deles. Desta forma, para ela é mais difícil se manter intacta diante daquilo que vem do ambiente.

 

Se a criança tiver que escolher entre ser ela mesma ou se comportar conforme outra pessoa deseja, ela optará pela segunda estratégia - com intuito de sobreviver. Sem se dar conta de suas escolhas, ela terá provavelmente medos, onde buscará por respostas, mas não as encontrará.

Se ela recebeu do ambiente material ruim ou pouco assimilável, ela construirá o "eu ideal" introjetado, que comandará o seu comportamento.

Dentro dessas condições, ela tende a crescer com baixa autoestima. Enquanto adulta provavelmente se tornará submissa aos valores e as necessidades do outro, se distanciando daquilo que seria melhor para ela. 

 

Contudo, haverá um conflito sempre que a própria pessoa não corresponder as exigências internas, principalmente se isso não for de acordo com sua necessidade real.

 

Um adulto sem autoestima se torna um campo muito oportuno para o surgimento das autocobranças exageradas. Pois, o sujeito sempre agirá de modo a corresponder ao "eu ideal", que nunca é satisfeito, pois vai além de suas possibilidades - diminuindo cada vez mais a  autoestima.

É dentro de nós que está o nosso pior inimigo, mas também o nosso melhor amigo. A questão é: "Com quem decidimos passar os dias de nossas vidas?"

Maria Cristina S. Araujo

Essa forma de viver gera sofrimento, porque o adulto se torna muito preocupado com aquilo que os outros vão pensar à seu respeito. A falta de valor que sente, o faz ter insegurança nas relações sociais, dificultando o surgimento de vínculos. 

Alguém assim, tão pouco sabe se está agindo corretamente, pois vive numa mistura de sentimentos e desejos, onde uma hora quer uma coisa, mas em outra hora deseja o oposto.

Experiências ruins na infância

Veja o que acontece

 

 

Quando pensamos em vivências ruins em torno de uma criança, já relacionamos com aquelas situações que envolvem o abuso físico ou psicológico, agressões, entre outras manifestações de violência. No entanto, não precisa ser tão severa a experiência, para o sentimento de desvalia surgir, pois basta que ela se sinta desprezada por suas figuras significativas.

Vivências negativas precoces, intensas e interruptas, podem fazer a criança se perder em seus sentimentos também.

Com o passar do tempo, ela pode desenvolver a convicção de que "não adianta fazer nada", porque sua vida não mudará. Ela cresce, e essas vozes que antes se calaram na infância sofrida, na vida adulta podem surgir como um "grito de socorro".

O alcance das experiências ruins na infância podem ser vastos, podendo criar desde um sujeito inseguro e adoecido ou que desconsidera a humanidade - assim se chega aos extremos.

Crianças negligenciadas têm propensão maior enquanto adultas de fazer uso de substâncias ilícitas, podendo também desenvolver compulsões, entre outras formas, usadas como meio para aliviar o mal estar interno.

Como educar sem estragar?

A criança precisa ser corrigida quando errar.

A correção mostrará a ela os limites, fortalecerá o julgamento de "certo e errado" sobre as coisas. E, essa aprendizagem seria conveniente se ocorresse num ambiente seguro, com o amparo e amor da família. 

Quando por algum motivo os pais não educam os filhos, eles ficarão expostos para a sociedade o fazer, e isso pode não ocorrer da melhor forma.

Uma criança que cresce mimada, também se torna aquela que não tem um comportamento adaptado para suas próprias necessidades, ficando propensa a não lidar com a vida de forma assertiva. Mesmo que pareça ser durona, independente e autossuficiente, lá fundo essa criança sofrerá provavelmente de baixa autoestima, mas tentará mostrar ao mundo o contrário daquilo que sente, podendo sofrer ainda mais.

Quando se corrige uma criança, é ideal que seja objetivo, direto e claro. 

Também apelidos, pois, mesmo que no contexto do adulto seja apenas uma simples brincadeira, ela entenderá de forma literal - de que é realmente daquele jeito.

Não faça xingamentos, porque a criança não consegue discernir se o adulto está chateado com ela ou com o que ela fez. Também não sabe identificar se esse adulto está passando por alguns problemas. Assim, ela entenderá que é a razão do problema e se sentirá errada.

Características pessoais da criança

do nascimento à vida adulta

Segundo Vigostski há uma interação importante entre aquilo que a criança já é, acrescida daquilo que recebe do ambiente. O resultado disso faz emergir a sua formação, lhe conferindo um jeito único e particular de atuar na vida.

 

Desde cedo, ela já tem traços de sua subjetividade, e isso organizará o modo de como vai incorporar os conteúdos psicológicos.

 

Mesmo sabendo que o ambiente influencia a autoestima de cada um, o indivíduo, nunca é passivo a tudo isso. Ele é o autor da sua biografia, ou seja, o poder de transformação está em suas mãos. 

 

Cada experiência, aprendizado, ação, fará a consciência construir, modificar, flexibilizar a sua autoestima.

"Abrindo os olhos" você passa admirar mais a natureza, inclusive a sua!

Maria Cristina Santos Araujo

Psicóloga SP - 06/108.975